Fórum DRG Brasil & Planisa é realizado em Porto Alegre com grande adesão – Blog do IAG Saúde

 

 

Aconteceu, no dia 17 de agosto, o Fórum DRG Brasil & Planisa – edição Porto Alegre, com o tema: Sustentabilidade Econômica Através da Qualidade Assistencial.

 

A Planisa – referência em consultoria de gestão de custos para a área da saúde – uniu sua experiência ao DRG Brasil – metodologia de gerenciamento da qualidade assistencial adequada ao perfil brasileiro – a fim de proporcionar esse momento de discussão sobre os novos caminhos para a sustentabilidade econômica hospitalar através da melhoria da qualidade assistencial.

 

Realizado no auditório do Hotel Blue Tree em Porto Alegre (RS), com lotação máxima, o Fórum teve o apoio institucional do SINDIHOSPA – Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre.

 

 

Programação

 

No primeiro momento, o Dr. Renato Couto, Diretor do DRG Brasil, falou sobre a metodologia DRG Brasil, seguido do sr. Marcelo Carnielo, Diretor Técnico da Planisa, que abordou os benefícios do uso dessa metodologia.

 

Em seguida, o Dr. Mauro Oscar Lima – Superintendente Geral de Hospitais da Fundação São Francisco Xavier (MG), falou sobre “Gestão clínica pelo DRG: Sustentabilidade pela qualidade de assistência”.

 

Ao final, houve um interessante painel de debate sobre as experiências com o uso do DRG Brasil em Porto Alegre, do qual participaram:

• André Reckziegel – Gerente de Controladoria do Hospital Mãe de Deus (RS)

• Tanira Andreatta – Superintendente de Operações e Governos do Hospital Moinhos de Vento (RS)

• Dr. Salvador Gullo Neto – Diretor de Provimento de Saúde da Unimed Porto Alegre (RS)

 

 

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Consultas públicas abertas – Blog do IAG Saúde

 

 

 

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem atualmente quatro consultas públicas abertas sobre temas relevantes do setor. Cada uma delas tem prazo definido para envio das contribuições.

 

A Consulta pública nº 62 diz respeito à Resolução Normativa (RN) que institui o Programa Especial de Escala Adequada (PEA). O objetivo é viabilizar a continuidade da assistência à saúde dos beneficiários de operadoras de pequeno e médio portes que avaliam não ter condições de atuar na saúde suplementar como ofertantes de planos de saúde e buscam uma saída ordenada do Mercado. O prazo final para envio das sugestões é dia 6/9. Saiba mais.

 

A portabilidade de carências é tema da consulta pública nº 63. A ANS vai atualizar a norma que estabelece as regras para que o beneficiário de plano de saúde possa trocar de operadora sem cumprir novo período de carência. Com as mudanças, a reguladora busca oferecer ao consumidor maior mobilidade no mercado, aumentando as possibilidades de escolha do plano de saúde, e incentivar a concorrência no setor. As contribuições podem ser enviadas até dia 11/09. Saiba mais.

 

A consulta pública nº 64 diz respeito à proposta de normativa para regulamentar a contratação de plano de saúde coletivo empresarial por empresário individual. O prazo para participar vai até dia 14/9. Saiba mais.

 

A ANS também está ouvindo a sociedade na Consulta Pública nº 65, que trata da proposta de implementação de um novo sistema de fiscalização. O objetivo é tornar as atividades fiscalizatórias mais eficientes, aprimorando a regulação do setor e promovendo melhoria no atendimento aos beneficiários de planos de saúde. Além de mudanças nos fluxos dos processos fiscalizatórios, a proposta de Resolução Normativa traz novidades como o tratamento diferenciado pela faixa de desempenho das operadoras, medido através de indicadores sobre o atendimento ao beneficiário e o cumprimento da regulação e, também, alterações na aplicação das penalidades. As contribuições podem ser enviadas até dia 14/09. Saiba mais.

 

 

Fonte: ANS

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Dr. Renato Couto falará sobre modelos de remuneração hospitalar no I Seminário Unidas RJ – Blog do IAG Saúde

 

 

O Dr. Renato Couto, Diretor do IAG Saúde e do DRG Brasil, será o palestrante do I Seminário Unidas – Rio de Janeiro.

 

 

 

No evento, que terá como tema “Modelos de Remuneração dos Serviços Hospitalares”, o médico falará sobre as experiências do presente como direcionadoras do futuro.

 

 

* Data: 14 de setembro de 2017

* Horário: 9h às 13h

* Local: Auditório Central da Petrobras – Av. República do Chile, 65 – 1º andar, Centro. Rio de Janeiro/RJ

 

 

 

 

Contato: unidas@unidas.org.br | 11 3289-0855

 

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UFMG lança o primeiro Portal de análise de notícias em saúde do país

 

 

Pesquisadores da Faculdade de Farmácia da UFMG lançaram no dia 14 de agosto, segunda-feira, o primeiro portal acadêmico de avaliação de notícias em saúde no Brasil. O site faz parte do projeto MEDIA DOCTOR do Centro Colaborador do SUS – Avaliação de Tecnologias & Excelência em Saúde (CCATES) da Universidade Federal de Minas Gerais, em parceria com a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC).

Preocupados com a qualidade da informação em saúde oferecida à população brasileira, os pesquisadores adotaram a metodologia Media Doctor, implantada em países como a Austrália, Estados Unidos, Canadá e Japão para analisar as notícias em saúde publicadas em jornais, revistas e portais online.

O projeto é coordenado pelo professor Augusto Guerra, do Departamento de Farmácia Social, financiado pelo Ministério da Saúde, e trará no site avaliações de reportagens sobre tecnologias em saúde. Para as avaliações, os pesquisadores examinam critérios científicos como indicação: benefícios; segurança; custo; alternativas; novidade tecnológica em saúde e independência da informação.

Além das avaliações por profissionais de saúde, o portal MEDIA DOCTOR terá o OLHAR DO JORNALISTA, que é a percepção de um profissional da imprensa sobre o conteúdo escrito, observando critérios de noticiabilidade. Já a BULA, servirá aos jornalistas como fonte segura de informações por apresentar definições científicas de doenças, tratamentos e medicamentos.

Outro diferencial do MEDIA DOCTOR BRASIL é que o site apresentará um monitoramento das avaliações, o SCANNER SAÚDE, uma espécie de raios-X das reportagens avaliadas pelos pesquisadores em que se observa: percentual daquelas que receberam cinco estrelas e temas mais publicados em jornais, revistas e portais de notícia do país.

CCATES/UFMG

 

Fonte: CONITEC

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Por que a gravidez de meninas de 10 a 14 anos não diminuiu no Brasil em uma década?

 

‘Sinto saudade de ser criança’: em uma década, gravidez de meninas de 10 a 14 anos não diminui no Brasil

 

Maria, que foi mãe aos 13 anosBBC BRASIL | Maria, que engravidou aos 13 anos: ‘Quando entendi que estava grávida, senti muito nervosismo. Pensei: não vou ser mais criança, agora eu vou cuidar de outra criança’

 

Aos 13 anos de idade, Maria entendia pouco sobre seu próprio corpo. Demorou quatro meses para descobrir que esperava um filho – fruto da primeira relação sexual que teve na vida, com um homem de 21 anos. Até receber a notícia da gravidez, Maria não sabia como ocorre uma gestação – jamais tinha recebido qualquer orientação em casa ou na escola. Tampouco sabia que a lei brasileira configura situações como a dela como estupro de vulnerável.

No posto de saúde de Autazes (AM), município a quatro horas de distância de lancha e carro de Manaus, Maria recebeu um único atendimento psicológico. O objetivo do profissional, conta ela, foi explicar o que era ser mãe.

“Quando entendi que estava grávida, senti muito nervosismo. Pensei: não vou ser mais criança, agora eu vou cuidar de outra criança”, lembra ela, com a fala tímida, enquanto o filho, hoje com três anos, circula pela casa simples onde moram.

Maria e a criança são sustentadas pelos minguados rendimentos que a mãe dela recebe com bicos em serviços domésticos e o Bolsa Família. Sua condição não é exceção na cidade de Altazes onde, segundo o IBGE, quase metade dos domicílios tem renda total de no máximo um salário mínimo. Maria teve que deixar a escola – perguntada sobre o que gostaria de fazer no futuro, respondeu que não sabe.

Sente saudade de ser criança? “Sinto. Eu jogava bola na rua, bola de gude”. E agora? “Não…. Fico em casa e vou à igreja”, diz, enquanto revê na televisão o filme Esqueceram de Mim 3.

Aos 15 anos, dois anos após o ter o primeiro filho, ela sofreu um aborto, e agora, aos 16, acaba de dar à luz uma menina, que mama em seus braços. Depois do último parto, quis fazer uma laqueadura, mas o procedimento não é permitido para mulheres tão jovens.

Hoje, cria os filhos sozinha. O pai da primeira criança morreu assassinado. O da recém-nascida, de 23 anos, mora em uma comunidade afastada do centro de Autazes e só soube que seria pai quando a gravidez estava no sexto mês. Os dois já não estão juntos – Maria diz que ele ajuda a comprar fraldas ou talco, mas não costuma cuidar da filha. “O que pedir, ele dá, mas tem medo de pegar porque ela é muito pequenininha”.

Maria – cujo nome verdadeiro foi preservado para não expô-la, assim como o das demais entrevistadas – é uma das quase 305 mil brasileiras de 10 a 14 anos que tiveram filhos entre 2005 e 2015, segundo o Datasus (banco de dados do Ministério da Saúde), que reúne os registros de maternidades e cartórios.

Os números mostram que a gravidez entre meninas dessa idade ocorre em todo o país, principalmente nas áreas mais pobres, alcançando os piores índices na região Norte. O mais grave é que a taxa de natalidade entre garotas nessa faixa etária não tem caído, ao contrário da tendência geral do país, que observa redução da fertilidade tanto entre adolescentes (mulheres de 15 a 19 anos) como entre adultas (a partir de 20 anos).

Com a ajuda da demógrafa Suzana Cavenaghi, a BBC Brasil calculou que o número de nascidos vivos a cada mil mulheres entre 15 e 49 anos caiu de 58,9 bebês em 2005 para 53,6 em 2015. Enquanto isso, a taxa para meninas entre 10 e 14 anos ficou em 3,2 bebês nos mesmos anos.

Não há um banco de dados que permita ampla comparação internacional para gravidez entre meninas dessa idade. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, a gestação nesse grupo etário é bem mais baixa e está em contínua queda: segundo o relatório mais recente do Departamento de Saúde americano, a taxa de nascimentos por mil garotas de 10 a 14 anos caiu de 0,6 em 2007 para 0,2 em 2015. Em 1991, era de 1,4.

 

Retrocesso na educação sexual

Ouvidos pela BBC Brasil, especialistas das áreas de saúde, educação e direito que acompanham o tema apontam para diversos fatores que podem explicar a persistência desse quadro, com destaque para a falta de orientação sexual em casa e nas escolas.

LúciaBBC BRASIL | Grávida aos 14 anos em uma comunidade pobre amazonense, Lúcia sofreu represálias na escola e na igreja

 

Segundo a Unesco, o ensino sobre os temas sexualidade e prevenção à gravidez sofreu enorme retrocesso no Brasil desde 2011, quando a polêmica envolvendo o material educativo Escola sem Homofobia (que ficou tachado de “kit gay”) acabou levando ao recolhimento de todo o suporte didático para educação sexual, que era distribuído desde 2003 para crianças a partir dos 12 anos, no âmbito do Programa Saúde na Escola.

“Hoje, nessa faixa etária de 10 a 14, nada tem sido feito no campo das políticas públicas de educação e sexualidade. Não existe uma diretriz nacional. Isso acaba virando um tabu e, como consequência, temos as crianças engravidando”, critica Rebeca Otero, coordenadora de Educação da Unesco no Brasil.

Para o órgão da ONU, a educação sobre sexualidade e gênero deve começar desde os cinco anos, para meninas e meninos. Isso nunca foi implementado no Brasil, diz Otero.

“A orientação da Unesco é que os assuntos sejam adaptados a cada faixa etária: o conhecimento do corpo, por que sente o desejo, o que é abuso sexual. Tendo essa informação, a criança vai saber como se proteger de uma gravidez, como postergar sua vida sexual, caso queira”.

Sem orientação, as meninas de menor renda são as mais vulneráveis, nota Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, especializado em sexualidade.

“Muitas vezes, nas casas mais pobres, a família inteira é obrigada a viver num mesmo ambiente. Então, pais fazem sexo e elas não só assistem, como passa a ser algo muito natural ainda cedo”, observa.

“E hoje há também muito mais mães e pais separados, em busca de novos parceiros. Essas meninas convivem em ambiente muito mais sensualizado do que antigamente, também pela mídia, músicas, televisão, internet. Mas, ao mesmo tempo em que vivem num mundo social com muita liberdade, há um despreparo da escola, da família, para encarar que elas já podem ser sexualmente ativas. Elas ficam vulneráveis pela ignorância”, afirma.

 

Lúcia e sua bebêBBC BRASIL | Especialistas acreditam que violência sexual e tolerância com relações supostamente consentidas entre adultos e menores de idade estão por trás da maioria dos casos de gravidez na pré-adolescência

 

‘Já vai abrindo as pernas’

E se a escola e a sociedade não educam para evitar a gravidez, em geral também não estão preparadas para acolher as meninas gestantes, ressalta Otero.

Grávida aos 14 anos de um namorado de 19 em uma comunidade pobre de Autazes, Lúcia sofreu represálias na escola e na igreja evangélica. “Já vai abrindo as pernas, depois fica sem condição”, disse ter ouvido de um professor.

Ela não queria um filho, mas, religiosa, nem cogitou o aborto. “Sabia que era uma vida, não podia matar.”

A filha nasceu há um mês e agora ela só pode ir à igreja se ficar isolada. Foi excluída do grupo de jovens, em que participava do coral, sua principal distração. O pastor quer que ela case com o pai da criança “para voltar à comunhão e participar do grupo de senhoras”.

“Eu não sou senhora. Tenho que ter responsabilidade por causa dela, mas não tenho que ser senhora. Me senti abandonada, senti revolta”, contou.

Lúcia sente saudade do seu corpo. Os seios ficaram bem maiores, a barriga ganhou estrias. Está traumatizada com a gravidez e diz que não quer mais ter filhos. O processo de parto foi difícil, com duas hemorragias, e acabou em cesárea. “Achei que tinha morrido. Minha vista escureceu, perdi o movimento do corpo. Dor de parto vai quebrando tudo dentro da gente”, relembra.

Lúcia decidiu ter uma segunda chance na vida: vai se mudar no próximo ano para Presidente Figueiredo, outra cidade do Amazonas, onde terá o suporte de uma tia. A filha vai ficar com a mãe de Lúcia em Autazes – ela, que também teve o primeiro filho aos 14 e foi obrigada ao matrimônio, apoia a decisão da menina.

 

“Casamento cedo tira a liberdade. Eu vou sentir saudades da minha filha, mas lá a escola é melhor. Quero ser arquiteta, pegar ela quando eu tiver faculdade e condição de criar”, planeja Lúcia.

 

Abusos por trás da gravidez

Especialistas no tema acreditam também que a violência sexual e a tolerância com relações supostamente consentidas entre adultos e menores de idade estão por trás da maioria dos casos de gravidez na pré-adolescência.

“Nem todos os casos nessa faixa são resultado de estupro, mas o que vemos muitas vezes são meninas que sofrem abusos sexuais durante a infância e isso acaba estimulando sua sexualidade, levando essas meninas a namorarem mais cedo, o que acaba desembocando nessa gravidez”, afirma Ana Carolina Araújo, conselheira tutelar em Ceilândia, cidade satélite de Brasília.

A polícia do Distrito Federal registrou 832 estupros de vulneráveis (menores de 14 anos) em 2016, mas Araújo acredita que a maioria dos casos não chega a ser denunciada. Essa é a mesma impressão da delegada Juliana Tuma, titular da única Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescente de Manaus. Ela diz que chegam para ser investigados por dia, em média, de seis a sete suspeitas de estupros de vulneráveis.

No Amazonas, a quantidade de nascidos vivos de mães de 10 a 14 anos cresceu 40% desde 2005 (maior alta entre os Estados), chegando a 1.432 em 2015.

Para o promotor de Autazes, Cláudio Sampaio, que já atuou também em outras cidades do Estado, a redução do problema virá “somente com projetos sociais, um debate maior da própria sociedade, que seja incentivado por órgãos públicos ou por igrejas, pra poder fortalecer o respeito à sexualidade da mulher e o respeito à criança”.

“Aqui no Norte, vejo uma cultura, digo no sentido de hábitos que estão enraizados na sociedade, de aceitação das relações sexuais entre crianças e adultos. Isso é considerado normal, infelizmente, e acontece até no próprio núcleo familiar, com padrastos, com irmãos, com tios”, afirma.

Mas essa solução proposta pelo promotor esbarra em outro problema que ele próprio identifica: a “ausência do poder público” em uma região distante do restante do país, de grande extensão e com enormes desafios logísticos devido à floresta.

Ele ressalta a necessidade de maior presença do governo federal, já que é comum autoridades locais estarem envolvidas em abusos. O caso mais famoso é o de Coari, cujo ex-prefeito Adail Pinheiro chegou a ser condenado a 11 anos e 10 meses de prisão por exploração sexual infantil, mas esse ano recebeu indulto (perdão) da pena e foi solto.

“O governo federal precisa cuidar das pessoas daqui, e isso não é propriamente dar dinheiro, dar um Bolsa Floresta. É preciso que o poder público venha e capacite as pessoas, para que possam desempenhar profissões, para que entendam a necessidade de respeito às mulheres”, cobra.

As três garotas com quem a BBC Brasil conversou no Amazonas relataram ter sofrido algum tipo de abuso sexual durante suas vidas, casos que seguem sem punição. Maria foi estuprada por um comerciante ao 13, quando já estava grávida. Lúcia teve a coxa acariciada por um funcionário do posto de saúde aos 12 – ele depois estuprou a irmã dela, que tinha 14.

Em Manaus, Joana, hoje com 17 anos e mãe de dois filhos, contou que sofreu seu primeiro abuso aos 5. O estuprador foi um vizinho, que pagou R$ 50 a sua mãe, viciada em drogas. Com muito sangramento, foi parar num hospital. “Meu útero saiu do lugar, até hoje sinto dores por isso”. Nada aconteceu com ele, que a abusou novamente cinco anos depois, dessa vez por R$ 100.

Joana saiu de casa para um abrigo depois de se cortar “todinha com uma gilete”. Passou por vários. “Depois do meu segundo estupro, com 11 anos comecei a ser putinha”, conta. Sua primeira gravidez, aos 13 anos, foi interrompida com quatro comprimidos de um remédio abortivo. Na segunda, aos 14, decidiu ter o filho. O pai era seu namorado, então com 21 anos, homem que a explorava sexualmente e a induzia a se drogar junto com sua mãe.

 

Joana e sua filhaBBC BRASILI | Nascimento do primeiro filho deu a Joana chance de ser atendida por serviço de apoio a vítimas de violência sexual

 

“Passei duas semanas pensando com Deus se abortava. Pensei: vai atrapalhar minha vida, vai acabar minha vida de puta.”

A gravidez na pré-adolescência em geral traz efeitos negativos para as meninas e seus bebês: estudos mostram maior incidência de evasão escolar, de depressão pós-parto e de nascimentos prematuros e com baixo peso. Entre elas, o acompanhamento pré-natal e a amamentação costumam durar menos tempo do que entre as mães adultas. São consequências da pouca maturidade e das condições sociais precárias dessas meninas.

No caso de Joana, a gravidez acabou tendo impacto positivo. O acompanhamento pré-natal a levou ao Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual de Manaus, onde recebeu apoio psicológico e conseguiu interromper a venda do seu corpo e, gradualmente, o uso de drogas.

Hoje ela está casada e tem uma boa relação com o pai de sua segunda filha, de sete meses. Ele tem 21 anos e trabalha com manutenção de ar-condicionado – item onipresente na fervente Manaus.

“Depois que meus filhos nasceram, veio um amor muito grande. Eu quis deixar a vida velha pra lá. Mas às vezes eu choro, quando meus filhos estão dormindo. Fica um reflexo (lembrança) na minha cabeça. Eu fico lendo a Bíblia, fico lendo, fico lendo, e só assim eu acalmo. Se eu for começar a pensar, eu fico doida”, diz ela, que é evangélica.

“Eu tenho muito sonho de que mato ele (o abusador, que segue morando no bairro da infância de Joana). Eu quero matar ele, mas se eu for pra cadeia, o que vai ser dos meus filhos? Eu penso muito nisso.”

A BBC Brasil questionou os ministérios da Educação e Saúde sobre as críticas quanto à falta de políticas públicas para enfrentar a gravidez de garotas e saber o que o governo pretende fazer para enfrentar o problema. A pasta da Educação não se manifestou. Já a pasta da Saúde se limitou a comentar as causas do problema e minimizar sua gravidade, destacando que os nascimentos nesse grupo representam 0,9% do total de nascidos vivos no país.

“A leve tendência de aumento, (da gravidez) na faixa de 10 a 14 anos, pode estar associada a vários fatores tais como violência sexual, aspectos culturais, iniquidades, falta de oportunidades, dentre outros; além disso, esse é um percentual muito pequeno, quando considerada todas as faixas etárias”, respondeu o ministério.

 

Fonte: BBC Brasil

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Autogestões de saúde querem legislação específica

 

A comissão especial da Câmara dos Deputados que discute uma nova legislação para os planos de saúde (PL 7419/06 e apensados) reuniu-se ontem (23) para ouvir representantes das instituições de autogestão de saúde e dos planos odontológicos de grupo. Eles reivindicaram uma regulação específica para esses setores.

 

A autogestão é uma modalidade de plano de saúde complementar gerenciada pela própria empresa na qual o beneficiário trabalha. Exemplos desse modelo são como a Cassi, do Banco do Brasil, e o Saúde Caixa, da Caixa Econômica Federal.

 

O representante da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde, José Luís Toro da Silva, lembrou que na autogestão existe uma capilaridade muito grande, atendendo seus membros onde quer que eles estejam. “Necessitamos ter da lei uma atenção diferenciada. Não podemos ser comparados às operadoras de Mercado.”

 

Por sua vez, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo, Geraldo Lima, destacou que o índice de satisfação dos usuários desse serviço passa de 99%. Ele pediu um olhar diferenciado para tais empresas.

 

“Hoje não há distinção de regras para planos médicos e planos odontológicos, e isso tem nos afetado sobremaneira. Somos um segmento menos complexo, com menor risco e devemos ter um tratamento da legislação diferenciado”, argumentou Lima.

 

O debate foi solicitado pelos deputados Jorge Solla (PT-BA) e Dagoberto Nogueira (PDT-MS).

 

Relatório

O presidente da comissão especial, deputado Hiran Gonçalves (PP-RR), informou que esta foi a última audiência pública do colegiado antes do relatório, que deve ser apresentado pelo deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) em setembro.

 

“As informações colhidas nos debates servirão de subsídio para que o nosso relator elabore um texto que contemple, da melhor maneira possível, os interesses dos usuários, dos profissionais, das organizações que prestam serviços médicos, seja por meio de autogestão, cooperativas ou planos de saúde convencionais”, disse Gonçalves.

 

*Informações da Agência Câmara

 

Fonte: SaúdeJur

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Trabalho sobre infecções relacionadas à assistência utilizando classificação do DRG Brasil ganha Prêmio IESS

 

Prêmio IESS: infecções relacionadas à assistência em saúde

 

 

 

As infecções relacionadas à assistência em saúde (Iras) ainda são um dos mais importantes problemas do setor no mundo. Este tipo de infecção é adquirido durante a prestação dos cuidados de saúde e podem resultar em mortes, além de elevado custo direto e indireto. Exatamente pela importância deste tema na cadeia de saúde – suplementar ou pública – é que novos estudos e iniciativas na área devem ser incentivados.

 

O estudo “Influência das infecções relacionadas à assistência no tempo de permanência e na mortalidade hospitalar utilizando a classificação do diagnosis related groups como ajuste de risco clínico” rendeu a Maria Aparecida Braga o 2° lugar na categoria “Promoção da Saúde e Qualidade de Vida” na edição 2016 do Prêmio IESS de Produção Científica em Saúde Suplementar. “As Iras são condições passíveis de serem evitadas e acreditamos que o impacto assistencial, social e econômico é imenso, daí a importância do tema”, comenta Maria Aparecida.

 

Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e doutora pela UFMG, Maria Aparecida conversou conosco sobre seu trabalho, a importância do Prêmio IESS e o que mudou após ter seu trabalho reconhecido.

 

Leia a entrevista abaixo e não deixe de inscrever gratuitamente, até 15 de setembro, seu trabalho de conclusão de curso de pós-graduação (especialização, MBA, mestrado ou doutorado) com foco em saúde suplementar nas áreas de Economia, Direito e Promoção de Saúde, Qualidade de Vida e Gestão em Saúde. Veja o regulamento completo.

 

Os dois melhores de cada categoria receberão prêmios de R$ 10 mil e R$ 5 mil, respectivamente, além de certificados, que serão entregues em cerimônia de premiação em dezembro deste ano.

 

Blog do IESS – Sobre o que é o trabalho?

Maria Aparecida Braga – É sobre a influência da infecção relacionada à assistência à saúde no tempo de permanência hospitalar e sobre a mortalidade. São condições passíveis de serem evitadas e acreditamos que os impactos assistenciais, sociais e econômicos são imensos, daí a importância do tema. É parte de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Infectologia e Medicina Tropical.

 

Blog – Como conheceu o Prêmio IESS?

MAB – Por meio do meu orientador, o Dr. Renato Couto, que é um grande pesquisador da área de gestão da saúde.

 

Blog – E qual sua impressão sobre o Prêmio IESS?

MAB – Foi muito gratificante receber o Prêmio IESS. É um reconhecimento de todo o trabalho. Saber que estamos atuando para modificar alguma coisa para melhoria da sociedade e que isto está sendo levado em consideração, sendo avaliado por um grupo de pesquisadores renomados é recompensador. A participação no evento da premiação foi particularmente importante. A forma como foram apresentados os trabalhos e como foram detalhadamente avaliados me deixou muito bem impressionada.

 

Blog – Em sua opinião, qual a importância de premiações com esta?

MAB – A premiação é um estímulo ao desenvolvimento da pesquisa séria e conectada à realidade da saúde brasileira. No Prêmio IESS, são avaliados trabalhos que podem realmente fazer a diferença na atuação dos profissionais de saúde e na gestão do setor, melhorando as condições assistenciais, com foco na segurança assistencial e determinando maior responsabilidade e responsabilização com o uso dos recursos, que são limitados.

 

Blog – O que mudou após receber o Prêmio IESS?

MAB – Recebi diversos telefonemas e a visibilidade do trabalho certamente aumentou. Parabenizo o IESS não apenas por essa iniciativa, mas por todas realizadas em prol da segurança assistencial. A saúde brasileira está muito carente de atitudes como esta.

 

 

Fonte: Blog do IESS – Instituto de Estudos de Saúde Suplementar

 

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Homens e mulheres de até 26 anos poderão ser imunizados contra HPV

Prevenção

Medida é válida apenas em municípios que ainda tenham vacinas em estoque com validade até setembro deste ano

 


Foto: Rodrigo Nunes/MS | Para essa faixa etária orientação é esquema com três doses, com intervalo de zero, dois e seis meses

 

Homens e mulheres entre 15 e 26 anos poderão receber a vacina contra HPV, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em municípios que ainda tenham vacinas em estoque, com prazo de validade até setembro de 2017.

A medida temporária foi aprovada nesta quinta-feira (17) e evita desperdício de doses em estoque.

Com o fim dos estoques a vencer, a orientação do Ministério da Saúde é que a vacina continue sendo administrada apenas no público-alvo (de 9 a 15 anos).

“Apesar dos esforços de divulgação, as coberturas vacinais continuam abaixo da meta preconizada de 80%. Isso se dá porque a vacinação na adolescência tem uma série de dificuldades, como a resistência desse grupo etário de buscar uma unidade de saúde, especialmente para vacinar-se, e o baixo conhecimento sobre a importância da vacinação”, destacou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Oferta da vacina

Para a faixa etária de 15 a 26 anos, a orientação do Ministério da Saúde é o esquema vacinal com três doses, com intervalo de zero, dois e seis meses. As pessoas que tomarem a primeira dose neste período, excepcionalmente, terão as duas doses subsequentes garantidas no SUS.

A rotina de uso desta vacina no público-alvo, que é para meninos na faixa etária de 11 a 13 anos e meninas de 9 a 14 anos, deve ser mantida com duas doses, sendo aplicada com intervalo de seis meses entre elas.

A vacina HPV Quadrivalente é segura, eficaz e é a principal forma de prevenção contra o aparecimento do câncer do colo de útero, 4ª maior causa de morte entre as mulheres no Brasil. Nos homens, protege contra os cânceres de pênis, orofaringe e ânus.

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sua mente tem poder

 

É hora de conhecer e botar em prática essa técnica cada vez mais prestigiada, que trabalha a atenção no presente e muda a forma de encarar a rotina

 

 

No fim dos anos 1970, na esteira das primeiras investigações científicas sobre os efeitos da meditação na saúde, o biólogo americano Jon Kabat-Zinn, da Universidade de Massachusetts, começou a ensinar técnicas contemplativas para pessoas com dor crônica nas costas e na cabeça. Assim nascia o seu Programa de Redução de Estresse Baseado em Mindfulness (MBSR, na sigla em inglês).O experimento, cujos achados foram divulgados em 1982, foi o único naquele ano a mencionar esse termo, traduzido para o português como “atenção plena”. Quem iria prever que, 35 anos mais tarde, o interesse pela prática viraria um fenômeno? Só em 2016 foram publicadas 667 pesquisas com o método, algumas em periódicos altamente respeitados pela comunidade acadêmica – elas avaliam, entre outras coisas, seus efeitos no bem-estar psíquico e na proteção cardiovascular.“Em comparação a outras áreas do conhecimento, os trabalhos com mindfulness ainda estão no começo, mas já existem revisões e estudos comparativos com resultados consideráveis”, contextualiza o médico Marcelo Demarzo, coordenador do Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção de Saúde, da Universidade Federal de São Paulo. Não é por menos que a empolgação já pulou os muros da ciência. Mindfulness está cada vez mais pop. Prova disso são os aplicativos para celular e os livros a respeito na lista dos mais vendidos.A técnica tem um quê de meditação, mas, a rigor, se refere a um estado mental de concentração no presente, sem julgar os pensamentos que brotam inevitavelmente. Outra característica é que, embora Kabat-Zinn tenha se inspirado na cultura zen-budista, o mindfulness se desvincula de aspectos religiosos. A bem da verdade, os princípios de atenção plena são compartilhados pela maioria das filosofias antigas e tradições espirituais. “O mindfulness possui múltiplas origens, todas legítimas”, diz o psicólogo Tiago Tatton, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E hoje presta serviço do monge ao executivo.

 

Como incorporar o mindfulness na rotina

 

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(Ilustrações: Ana Cossermelli/SAÚDE é Vital)

Ao respirar

A mente tende a divagar, afastando a nossa atenção do corpo. Quando focamos no entra-e-sai do ar (não precisa controlar, é só observar mesmo), corpo e mente se conectam, nos trazendo de volta para o momento presente.

Ao caminhar

Pode ser no local de trabalho, em casa ou na rua. A âncora para trazer a consciência ao presente não é o trajeto propriamente, mas o fato de andar com consciência e atenção nas passadas.

Ao tomar banho

Esta aí um ambiente perfeitamente seguro para a prática. Em vez de se ocupar pensando na lista de afazeres ou falando sozinho, aproveite para notar seus movimentos e sensações, como a água em contato com a Pele.

 

 

 

Retiro mental

 

Programas formais de mindfulness, como o próprio MBSR criado pelo pai do método, geralmente duram dois meses e incluem um encontro semanal de duas horas, além de exercícios diários para fazer em casa. E a medicina vem se debruçando sobre o impacto deles na saúde.Uma das atuações de destaque, como o nome do protocolo sugere, é o controle do estresse. Essa palavrinha, que martela nosso cotidiano, nada mais é que uma adaptação do organismo a uma mudança – se a reação é exagerada ou constante, porém, se transforma em uma agressão ao corpo. “Mindfulness é uma ferramenta para gerenciar melhor os efeitos do agente estressor”, resume o psicobiólogo Ricardo Monezi, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.Do ponto de vista da saúde mental, é um instrumento útil para o desenvolvimento de duas competências: resiliência e coping ou enfrentamento, que são as habilidades de se adaptar e de lidar com as adversidades. Não quer dizer que você vai evitar os problemas, mas é possível preparar a mente para atravessá-los de maneira inteligente.“Bioquimicamente, há uma redução na liberação do hormônio adrenocorticotrófico, o que regula a produção do cortisol, uma das principais substâncias relacionadas ao estresse”, descreve Monezi. Por meio de ações conscientes, a prática nos faz sair do piloto automático e induz uma resposta de relaxamento.

“A mente está sempre trabalhando. Quando não se tem uma tarefa específica, ela se enreda em um discurso interno interminável”, escrevem Marcelo Demarzo e o psiquiatra espanhol Javier García Campayo no livro Manual Prático Mindfulness (Editora Palas Athena).

Estudiosos da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, calculam que quase metade do tempo que passamos acordados é gasto em pura dispersão. A proposta do mindfulness é que, ao tomar consciência disso, deixemos de ser vítimas de um looping mental involuntário. Um circuito que muitas vezes fica pulando de preocupação em preocupação – e é capaz de nos deixar na maior fadiga e depressão.

 

Exercícios para fazer em casa

 

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(Ilustrações: Ana Cossermelli/SAÚDE é Vital)

Foco nas mãos

Eis um exercício formal. Sente-se de maneira confortável, feche os olhos e mantenha a atenção nas sensações das mãos – como elas são cheias de terminações nervosas, é fácil perceber o que se passa ali.

Foco na comida

Outro experimento tradicional de mindfulness consiste em comer uma uva passa com o máximo de atenção no processo. Olhe, toque, cheire, perceba cada detalhe antes de levar a fruta à boca e saboreá-la.

Foco na postura

No livro A Arte de Sentar, o monge zen-budista Thich Nhat Hanh ensina: sente-se de uma maneira com que possa desfrutar desse ato – relaxado, com a mente desperta, calma e límpida. Parece simples, mas exige prática.

 

 

Cientificamente comprovado

 

A neurociência tem colhido algumas das evidências que mais impulsionam o respeito ao mindfulness e a sua popularização. “Ao analisar o cérebro de meditadores experientes, já foram observadas diferenças na densidade da substância cinzenta”, relata a bióloga Elisa Kozasa, do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.O que isso quer dizer? “Acredita-se que esse achado esteja relacionado a um aumento nas sinapses, as conexões entre os neurônios”, completa. Mais: práticas meditativas como o mindfulness estão sendo associadas a um fenômeno chamado neuroplasticidade, a capacidade de a massa cinzenta se adaptar a novos estímulos e situações. É o que possibilita a células nervosas saudáveis assumirem novas funções quando um acidente vascular cerebral destrói um grupo de neurônios, por exemplo.Agora, uma questão que não quer calar: mindfulness é meditação? “Na verdade, dizemos que essas técnicas são facilitadoras da meditação, que coloca o indivíduo em contato com toda a sua experiência no momento do presente”, esclarece a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil. Dessa perspectiva, incluir exercícios de mindfulness no dia a dia não é a mesma coisa que se dedicar rigorosamente à meditação por anos a fio, como aquele povo estudado nos experimentos mencionados por Elisa.Classificações à parte, é importante ressaltar que mindfulness não opera milagres. Os benefícios dependem de disciplina e tempo de prática. “Não adianta achar que tudo vai se transformar em oito semanas, sem mudar o estilo de vida como um todo”, argumenta a pesquisadora do Einstein. A grande “revolução mindfulness”, como nomeou a revista americana Time em 2014, parece estar em devolver às pessoas sua parcela de responsabilidade pela própria saúde. Adotar as técnicas de atenção plena equivale a englobar a atividade física na rotina – demanda força de vontade, disposição e empenho.

 

Como lidar com as distrações

 

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(Ilustrações: Ana Cossermelli/SAÚDE é Vital)

Classifique

Dê um nome aos pensamentos e às emoções que surgirem. Assim, você retoma o distanciamento necessário para observá-los sem embarcar neles. Identifique mentalmente: “pensamento”, “memória”, “preocupação”…

Oi, obrigado, tchau

Se rotular apenas não está surtindo efeito, tente trocar por uma dessas palavras. Cada vez que um pensamento ou emoção se manifesta, saúde-o, agradeça ou simplesmente se despeça dele.

Pedras no lago

Imagine-se à beira de um lago com água cristalina. Cada pensamento equivale a atirar uma pedra nele, revolvendo a terra do fundo e turvando a superfície. Quando a mente acalma, a água volta a clarear.

 

 

A ascensão do método

 

Toda essa popularização do mindfulness desperta certa preocupação dos especialistas por ser uma via de mão dupla. De um lado, permite que milhares de pessoas tenham acesso e tirem proveito da prática, ganhando qualidade de vida. De outro, abre as portas para uma versão industrializada e, às vezes, até charlatã do método.Hoje já se vê por aí: tem gente vendendo um pacote como solução para todos os males. A questão foi debatida no último Encontro Internacional de Mindfulness, em São Paulo. Para aparar as arestas científicas em torno do assunto e garantir a eficácia de suas indicações terapêuticas, os estudiosos também discutiram a necessidade de definir melhor o conceito e sua aplicação na prática. “Isso é importante para mensurar com precisão e de forma isolada o real impacto do mindfulness na saúde”, acredita Tatton.Outro tema que gera apreensão entre os entendidos é a ética no uso do mindfulness. Isso ganha dimensão nesses tempos em que a técnica tem sido aplicada no ambiente de trabalho a fim de aumentar a produtividade. Citado no encontro, o monge budista Matthieu Ricard teria feito a seguinte comparação para alertar a respeito: um atirador também precisa de calma, atenção e concentração no presente para acertar o tiro.O que não se pode perder de vista é que o mindfulness deveria ser positivo não só para quem o pratica mas também para o mundo à sua volta. Nas tradições nas quais a técnica bebe, meditar faz parte de um conjunto de preceitos como compaixão e dedicação com o próximo.

Incorporar os princípios mindfulness pressupõe uma mudança na forma de se ver e atuar no mundo. E é por isso que, ao contrário de outras ondas, que uma hora deságuam e somem na areia, se acredita que o método vem para ficar como um recurso que nos ajuda a viver e socializar melhor. Monges budistas, iogues indianos, filósofos gregos e outros meditadores já testaram… E você está convidado a fazer o mesmo – com os ajustes que pedem sua rotina. Feche os olhos, respire e foque no aqui e agora.

 

A técnica ao longo da vida

 

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(Ilustrações: Ana Cossermelli//SAÚDE é Vital)

Na escola

Aplicada em sala de aula, a atenção plena reduz a agressividade e melhora a socialização entre os alunos. Segundo um levantamento da Fundação David Lynch, nos Estados Unidos, os níveis de estresse chegam a diminuir 40%.

No trabalho

Como aumenta o foco e reduz a tensão, o mindfulness não demorou a ocupar o ambiente corporativo, onde geralmente é oferecido em programas de bem-estar. O Google, por exemplo, tem um grupo diário de prática.

Na gestação

Pesquisadores das Universidades de Wisconsin-Madison e da Califórnia (EUA) concluíram que técnicas de mindfulness melhoram a experiência das mulheres ao dar à luz e minimizam sintomas de depressão pós-parto.

 

 

Os poderes do mindfulness

 

O poder de espantar a tensão

Uma pessoa que se atrasa para um compromisso de trabalho constata: “Estou atrasada”. Uma pessoa ansiosa, na mesma situação, antecipa uma catástrofe: “Vou perder meu emprego, vai ser horrível”. “Com mindfulness, você aprende a reconhecer que isso é só um pensamento”, explica a psicóloga Marcia Epstein, que coordena o curso Mindfulness e Compaixão do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

A ideia é observar a experiência sem ser afetado pelo que está por vir. Não é fácil no começo, mas a prática conduz a um estado que nos blinda do estresse e da ansiedade, algo particularmente vantajoso se considerarmos a quantidade de problemas que o hábito de ruminar preocupações desencadeia. “Sabemos que a repetição de pensamentos negativos não é apenas consequência, mas também causa da depressão”, afirma o psiquiatra Paul Bernard, do Centro de Mindfulness da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Para combater a epidemia dessa doença, que atingirá 350 milhões de pessoas no mundo só em 2017, os britânicos apostam na Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT), já aplicada em seu sistema público de saúde. Em um estudo tocado ali, 71% dos pacientes reduziram o uso de medicamentos antidepressivos. “O programa também se mostrou eficiente em casos de recaída”, nota Bernard, que apresentou um simpósio no último Encontro Internacional de Mindfulness, recém-ocorrido em São Paulo.

O bê-á-bá

Mindfulness é um estado de consciência e percepção: todos nós temos, mas ele pode (e deve) ser treinado

A base

Tudo começa com intenção e atenção. Sentado em posição confortável, você se propõe a focar em algo, como a respiração ou uma sensação tátil.

O mecanismo

A atitude é o que faz a diferença. É preciso estar aberto à experiência e deixar de lado os julgamentos prévios. Observe com curiosidade, sem expectativas.

A consequência

Com o tempo, o resultado é o que os estudiosos chamam de equanimidade, uma sabedoria interna que permite agir sem se identificar com os dramas mentais.

A evolução

O mindfulness trabalha a capacidade de observar os próprios pensamentos, processo conhecido como metacognição. Mas só com a prática regular dá para chegar lá.

O poder de não se julgar

Não é preciso ser cientista para saber que o estado mental rege muito do nosso comportamento à mesa. Pois esse reflexo tem sido alvo de estratégias de mindfulness tanto para ajudar na perda de peso como para socorrer casos de compulsão alimentar, anorexia e bulimia. A proposta mais conhecida vem do Programa de Consciência Alimentar Baseado em Mindfulness (MB-EAT), o mindful eating, que preconiza uma ressignificação com a comida.

O lance aqui é dedicar atenção (de verdade) a esse ato que garante nossa sobrevivência: comer. Só que sem julgamentos, de fora ou de dentro. Não se deve pensar nesse modelo como uma nova dieta, mas numa mudança de postura diante das escolhas e exageros alimentares. “Emagrecer será uma consequência”, diz a nutricionista Manoela Figueiredo, do Instituto de Nutrição Comportamental, em São Paulo.

Essa reconexão consigo – e escudo contra modismos ou padrões que a sociedade impõe – é a arma usada contra os transtornos alimentares associados à imagem corporal. Katya Stübing, pesquisadora da Enfermaria de Comportamentos Alimentares do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, testou um programa de oito sessões específico para esses casos. Constatou que a técnica reduz níveis de ansiedade e depressão e propicia uma relação mais saudável com o prato e o espelho. “Por vezes o corpo tende à cura, mas nós nem sempre o ajudamos. Ao regular a atenção e as emoções, o mindfulness cria condições para que o organismo se recupere”, afirma Katya.

O poder de se alimentar melhor

“As pessoas têm comido com uma carga de culpa muito grande”, observa Manoela Figueiredo. É uma paranoia que patrocina a compulsão alimentar. Isso porque encoraja o “efeito já que…”: já que você vai comer algo que não deve, que tal aproveitar o momento para abusar? “O que o mindful eating promove é um resgate dos sinais internos de fome e apetite”, defende a nutricionista.

É uma espécie de reconexão com um conhecimento intuitivo que permite perceber, por exemplo, quando estamos saciados – algo que varia bastante de um indivíduo para outro. Quando um atleta questiona a nutricionista Larissa Aguiar, que trabalha no São Paulo Futebol Clube, se pode comer brigadeiro antes da partida, ela devolve: “Não sei, você pode?”.

A ideia é que, gradualmente, os jogadores mesmos percebam o que é mais adequado e saibam administrar a vontade de comer impulsionada por emoções ou pressões externas. Nessa linha, o método também nos ajuda a identificar quem está acionando a fome: é o estômago mesmo ou são os olhos, o nariz ou a mente? A toada do mindfulness vai em direção contrária ao que apregoam as dietas restritivas, apoiadas na autocrítica constante e na sensação de fracasso quando as metas não são cumpridas.

O sucesso depende, portanto, de ter consciência que não se trata de um plano com começo, meio e fim e requer um gerenciamento das expectativas. Ou seja, o mindfulness ensina a aliar o autocontrole à coisa mais gostosa que existe, o prazer.

Para uma refeição plenamente atenta

Alguns conselhos do mindful eating, que ajuda a ter melhores escolhas à mesa – e a não abusar

Sente-se

Nada de almoçar em pé, no carro, correndo de um lugar para outro. Sentar nos faz lembrar que é preciso parar. E não ficar fazendo outras coisas em conjunto.

Observe

Tanto o aroma, a textura e o sabor dos alimentos como as suas próprias sensações e sentimentos. Durante a refeição, faça uma autoanálise: de zero a dez, qual é o seu grau de saciedade?

Concentre-se

Nem é preciso dizer que as tecnologias são a maior fonte de distração. Desligue a TV e coloque o celular no modo silencioso – de preferência, longe da mesa.

Desacelere

A pressa é um caminho para a desatenção. Uma dica para diminuir o ritmo é comer com a mão não dominante – a esquerda, se você é destro, ou a direita, se é canhoto.

Só coma

Tenha foco exclusivo na refeição e deixe o resto para depois. Procure estar envolvido com tudo o que acontece à mesa, sem deixar os pensamentos passearem ou reféns de aflições.

O poder de viver mais (e feliz)

É de se perder de vista o número de potenciais aplicações do mindfulness não só na prevenção mas como elemento coadjuvante no controle de doenças crônicas. O assunto tem visitado, com cada vez mais destaque, congressos de oncologia, neurologia e cardiologia. “Ainda existe uma resistência a esse tipo de abordagem, mas ela já foi bem maior”, avalia o médico Mário Borba, do Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Multiplicam-se os indícios de que a prática – sobretudo quando orientada por um profissional capacitado – melhora o padrão de sono e até mesmo os níveis de pressão arterial. Dá pra dizer que mindfulness (ou meditação) é pré-requisito para quem quer ampliar sua expectativa de vida. Palavra de Prêmio Nobel de medicina. “Pessoas que tendem a concentrar mais suas mentes no que estão fazendo têm telômeros mais longos que aquelas cujas mentes divagam mais”, revela a americana Elizabeth Blackburn, que recebeu a honraria em 2009.

Foi ela quem descortinou o elo entre o comprimento dos telômeros – a extremidade dos cromossomos das nossas células -, o papel de uma enzima chamada telomerase na proteção dessas estruturas e a longevidade. Um experimento com o programa de mindfulness MBSR mostrou que os praticantes tiveram um aumento de 17% nos níveis dessa enzima antienvelhecimento. “O foco mental é uma habilidade que qualquer pessoa pode cultivar. Tudo que você precisa é praticar”, afirma a Prêmio Nobel.

A mente muda, o corpo responde

Além dos efeitos psíquicos, as práticas meditativas têm repercussões fisiológicas

Melhora o sono

Ao avaliar a eficácia de mindfulness em pacientes com câncer, notou-se que o método também aprimorava o estado de humor e a qualidade do sono. Um estudo recente constatou esse tipo de efeito especialmente em gente acima de 55 anos.

Protege o coração

Existem evidências de que a prática de atenção plena regula a frequência cardíaca, reduz processos inflamatórios e baixa a pressão arterial, fatores que auxiliam a controlar a hipertensão e prevenir os problemas cardiovasculares.

Alivia as dores

Desde que Kabat-Zinn desenvolveu o primeiro programa estruturado, em 1979, a atenção plena é usada para tratar condições como fibromialgia, lombalgia e artrite. Com a prática, há uma diminuição da intensidade da dor e de outras limitações ligadas a ela.

 

Fonte: Saúde É Vital – Abril

Saiba mais

Dr. Renato Couto fará participação especial em painel sobre custo-efetividade no tratamento de AVC

 

O Hospital Santa Rita (MG) promoverá o Painel de Debates “O Impacto do custo x efetividade no tratamento de AVC no Brasil”, dia 28 de agosto de 14 às 18h na Associação Médica de Minas Gerais (AMMG).

 

 


 

O painel contará como palestrante o Neurocirurgião Dr. Cleverson Kill e o Neurologista Dr. Gustavo Daher, e a mediadora do debate será a presidente da AMAVC, Sra. Sandra Isida Gonçalves.

 

O Dr. Renato Couto, médico especialista em Clínica Médica e Infecção Hospitalar, Diretor do IAG Saúde, será um convidado especial deste Painel.

 

 

Interessado em participar do evento?

Confirme sua presença pelo e-mail comunicacao@santaritahospital.com.br até o dia 24/08/2017.

 

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