Seleção natural está combatendo Alzheimer e tabagismo

A seleção natural não para nunca – e parece que está tentando dar um jeito em dois dos maiores problemas de saúde da humanidade.

Caucasian old man smoking a cigarette (Juanmonina/iStock)

Na escola você aprende que humanos, cachorros e macacos são do jeito que são por causa de da seleção natural, teoria publicada por Charles Darwin em 1859.

Pausa rápida para revisar: às vezes um animal nasce com uma modificação genética. E essa modificação, sem querer, acaba sendo vantajosa para ele. É como se o patinho feio, que é preto, passasse a usar sua cor única para se camuflar nas águas de um rio escuro – e conseguisse, assim, se esconder de predadores com mais facilidade que seus irmãos. Graças a isso, ele vai viver mais tempo e se reproduzir mais, passando esses genes para frente. Com o tempo, a parcela de patos pretos na população aumentará muito. E foi assim, modificação por modificação, ao longo de milhões de anos, que todos os seres vivos que existem chegaram à forma que têm hoje.

Acontece que essa forma não é fixa, e que a seleção natural não parou. Ela continua acontecendo o tempo todo, com todos as espécies – inclusive a nossa.

Por meio da análise de 8 milhões de mutações no DNA de 215 mil seres humanos, a equipe do biólogo Hakhamanesh Mostafavi, da Universidade de Columbia, concluiu que, aos pouquinhos, a seleção natural está apagando do nosso DNA os genes que causam a doença de Alzheimer e os que aumentam a propensão ao tabagismo.

O primeiro impulso seria explicar esse fenômeno à maneira clássica – a do patinho feio: pessoas que fumam mais vivem menos e têm mais problemas de saúde, o que diminui suas chances de ter filhos. Pessoas que não têm predisposição ao vício, por outro lado, tendem a ser mais saudáveis e viver mais.

Mas isso não é bem verdade no mundo contemporâneo, em que pessoas só morrem por causa do cigarro muito depois do fim da idade reprodutiva ideal. Dá tempo de ter muitos filhos e distribuir seus genes a rodo antes de acabar com os próprios pulmões.

Nesse caso, explica o artigo científico, a seleção natural poderia usar artifícios mais sutis para atuar. O mais convincente deles é a hipótese da vovó. De acordo com ela, as fêmeas humanas (e de outros animais, como as baleias) passaram a viver longos períodos após a menopausa porque a seleção natural percebeu que avós vivas ajudam a criar os netos – o que aumenta as chances de sobrevivência de quem está duas gerações à frente.

O oposto também é verdadeiro: um neto que perdeu os avós por causa do tabagismo ou do Alzheimer teria menos gente para criá-lo e protegê-lo, e isso diminuiria, ainda que em um um nível estatístico muito difícil de perceber na prática, suas chances de sobrevivência.

É claro que há muito especulação aí. Mostafavi explicou à Nature que as análises feitas por sua equipe levaram em consideração apenas pessoas que estão vivas neste exato momento. “Se uma variante genética influencia na sobrevivência, sua frequência deve mudar de acordo com a idade dos indivíduos vivos”.

Em outras palavras, o estudo não tem como abarcar mais do que as três gerações que separam um bisneto de sua bisavó – o que é um piscar de olhos para a evolução, bem menos que o suficiente para causar uma mudança notável e homogênea nos 7 bilhões de seres humanos do planeta. Há o risco de que a queda no número de genes associados a Alzheimer e tabagismo entre as pessoas vivas em 2017 seja só uma flutuação momentânea, um ponto fora da curva. O ideal, é claro, seria selecionar milhares de famílias e seguí-las por gerações à fio – algo inviável na prática.

Fonte: super

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O futuro da saúde está no cuidado com o paciente

O melhor remédio é a prevenção, já diziam os contemporâneos de nossos avós há algumas décadas. Esses “antigos pensadores” nunca estiveram tão próximos da verdade quanto nos dias atuais. De forma bastante irônica, os rumos para a melhoria da saúde mundial passam, em partes, pelo resgate desse passado.

Não estou falando da medicina praticada antigamente, mas daquela que une a tecnologia disponível nos dias de hoje – cuja oferta cresce em níveis exponenciais – com a ideia de que o cuidado com o paciente deve vir antes mesmo do surgimento de qualquer enfermidade.

Isso pode parecer óbvio, mas não é. Nas últimas duas décadas, os gastos com a saúde no Brasil subiram quase 2%: em 1995, 6.5% do PIB era destinado para este fim; em 2014, o valor já correspondia a 8.3% (World Health Organization Global Health Expenditure). Muito desse crescimento se deve ao aumento na demanda por serviços de saúde pública, que a cada dia recebe mais e mais pacientes vítimas de complicações causadas por enfermidades como obesidade e diabetes – doenças cuja prevenção poderia fazer toda a diferença no processo de tratamento, impactando positivamente nos gastos do Estado com a área.

Esta realidade tem feito com que instituições e profissionais de saúde busquem, cada vez mais, sistemas que os ajudem a entender os riscos. Ou seja, prever suas ações – e gastos – com base nas possibilidades de um grupo ou indivíduo desenvolver certas doenças. Nestes casos, soluções como o PEP (prontuário eletrônico do paciente) tornam-se indispensáveis para que toda a história clínica do paciente possa ser analisada, e que este seja assistido da melhor forma e no momento correto.

Este é o conceito por trás do modelo de negócio buscado atualmente pelas operadoras de saúde, como instituições públicas e convênios médicos; o chamado value-based-care. A proposta é calcada na remuneração com base no cuidado do paciente e da percepção deste com relação ao atendimento, e não somente no número de consultas e/ou exames clínicos realizados. Desta forma, médicos, técnicos e enfermeiros são incentivados a conduzir todo o processo com uma visão mais sistêmica do paciente, colhendo o máximo de informações possíveis antes da decisão clínica. O resultado é um atendimento único, com mais qualidade, assertividade e acolhimento.

O futuro da saúde no Brasil está sendo escrito todos os dias, especialmente quando consideramos o crescente número de pessoas que migram de planos privados para o Sistema Único de Saúde, tornando ainda mais difícil fazer qualquer previsão. Entretanto, não há como fugir de um atendimento cada vez mais personalizado, melhorando as relações na perspectiva do paciente.

Fonte: saudebusiness

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