MINISTÉRIO DA SAÚDE DIZ QUE PLANO POPULAR JÁ PODE SER VENDIDO

Os planos de saúde acessíveis, mais baratos e com uma cobertura mais restrita, já podem ser vendidos, segundo o Ministério da Saúde. Esse foi o entendimento da pasta ao analisar o relatório divulgado pela Agência Nacional de Saúde (ANS) sobre planos de saúde populares.

No documento, a agência afirma que grande parte das sugestões encaminhadas “já ocorrem no Mercado” como a cobrança de participação em exames e consultas, exigência de passar primeiro em clínicos antes de consultar especialistas e segunda opinião médica. O ministério diz, ainda, que é “livre escolha do consumidor optar pela adesão” O plano acessível é bandeira do ministro Ricardo Barros.

Consultada, a ANS disse que o “relatório é um documento descritivo, não há um produto resultante desse trabalho”.

Na nota, informa que, “como aponta o relatório, há diversas medidas que já são possíveis de acordo com a legislação vigente.” Para a médica Lígia Bahia, professora da UFRJ e membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), está na hora de a agência dizer se é contra ou a favor do plano popular: Ao se posicionar, a agência estará falando também sobre a sua própria existência, pois o plano desregula o setor. E se não tem regulação, para que a ANS? Esse é um plano que atende aos interesses das operadoras e não à necessidade do consumidor.

Propõe que a cobertura se restrinja à oferta de serviços locais. Estamos voltando para antes de 1998, quando ainda não havia a lei que impôs regras para o setor.

Apesar de admitir que o relatório dá um aceno positivo aos planos acessíveis, a FenaSaúde – que representa as maiores seguradoras do setor – considera que ainda não é possível falar em lançamento do produto no mercado. A entidade quer regulação específica, que deixe claro as normas do novo produto.

– Há algumas regulamentações espalhadas que já são adequadas ao que se pretende do plano popular. Mas é preciso regra específica para dar maior transparência quanto às regras.

Isso é importante para dar segurança às operadoras e ao consumidor e reduzir a judicialização.

Os juizes muitas vezes alegam que a regra não ficou clara para o usuário – afirma Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da federação.

A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) – que representa grandes operadoras – disse em nota considerar positiva a iniciativa do Ministério da Saúde avaliar novos produtos que “atendam à necessidade de atenção à saúde do brasileiro.” E destacou que “independentemente de como avançarem as tratativas sobre os planos acessíveis’,’ os demais produtos continuarão a ser oferecidos.

Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a ANS optou por dizer que sugestões já são praticadas.

-A ANS optou pelo caminho do “já estamos fazendo isso” como na cobrança de participação e junta médica, ou então, indicando que parte das sugestões já existia no mercado. Há uma exceção positiva: a agência reconheceu que o reajuste por planilhas de custos (proposto para o produto) transfere o risco do negócio para o consumidor – avalia Ana Carolina Navarrete, do Idec.

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Plano de saúde é a terceira conquista mais desejada

Uma pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) revelou que o plano de saúde está entre as conquistas mais desejadas entre a população brasileira, junto à educação e à casa própria. A recessão econômica e o alto volume de desempregados tornaram o benefício também um fator decisivo para a escolha de um novo emprego, de acordo com 95% dos entrevistados. Os principais motivos para desejar ter plano de saúde, segundo o estudo, são qualidade e agilidade no atendimento, bons médicos e hospitais, comodidade e conforto.

Os resultados refletem uma tendência do Mercado de saúde suplementar, que vem se adaptando à realidade econômica dos brasileiros para absorver e manter novos clientes e resgatar os que tiveram que abrir mão do benefício nos últimos dois anos. “Para combater a taxa de evasão em consequência dos demissionários, buscamos alternativas para oferecer planos mais acessíveis e adaptados às necessidades de cada cliente”, afirma Matheus Colombaroli, presidente da Unimed São Sebastião do Paraíso.

A cooperativa médica, que conta com aproximadamente 7.000 clientes, está comercializando, desde fevereiro desse ano, um plano ambulatorial que garante ao beneficiário consultas, exames e procedimentos ambulatoriais. “Com essa novidade, estamos observando uma adesão de pessoas que sempre queriam ter a tranquilidade de contar com um plano de saúde e não conseguiam por conta dos valores”, comemora Colombaroli.

A Unimed Divinópolis foi uma das pioneiras na criação do modelo coparticipativo, que foi replicado por várias outras operadoras do país. Nesse formato, o beneficiário paga uma mensalidade bastante inferior às categorias tradicionais, de forma coparticipativa, a cada consulta ou procedimento a que for submetido. “O cliente consegue controlar melhor seus custos, fazendo o monitoramento do que utilizou mês a mês e mantém o acesso aos serviços que precisa, em clínicas e hospitais de qualidade, a um custo muito baixo”, explica Evangelista José Miguel, presidente da Unimed Divinópolis e um dos idealizadores do modelo de coparticipação para a saúde suplementar.

A cooperativa conta com 200 mil clientes, dentre eles a Cimcal, empresa especializada em materiais para construção civil. Cliente da Unimed Divinópolis há mais de 20 anos, a empresa estende o benefício a todos os empregados registrados e seus familiares, tendo uma adesão de 95%. “Para nós é extremamente importante ter um quadro de colaboradores satisfeitos e resguardados. Isso influencia diretamente na produtividade e na redução do índice de absenteísmo”, conta Enilso José Barreto, gerente administrativo da Cimcal.

O gestor revela que os investimentos mensais em planos de saúde para os empregados giram em torno de R$ 50 mil, representando 0,5% do faturamento total da organização. “É uma relação custo-benefício muito interessante para a empresa”, completa. Ao todo, no Estado, o Sistema Unimed mineiro conta com 67 cooperativas médicas que atendem a quase três milhões de clientes, contemplando 98% do território estadual. Desses clientes, 80% se enquadram em planos empresariais e 20% em planos individuais.

FOTO: LEO FONTES
Andrea Santos
Andrea Santos, hipertensa, optou pela segurança do plano de saúde

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